CHINCHERO, MORAY, SALINAS DE MARAS, OLLANTAYTAMBO



Nosso último dia de passeio por Cusco começou nublado, com cara de chuva a qualquer momento, mas isso não diminuiu, em nada, a beleza dos lugares que visitamos nesse dia, a começar por Chinchero.



Logo que chegamos a Chinchero, fomos conhecer um Centro Artesanal, onde uma das artesãs explicou e mostrou todo o processo de produção da lã, desde o tosquiar da vicunha, alpaca e ovelha até o tecer.
Para lavar a lã retirada desses animais, elas usam algo [não me lembro] que  no contato com a água se transforma numa espécie de sabão. Ela lavou a lã e ficou branquinha. Foi incrível !
Ela disse que, além disso, é usado para lavar os cabelos.
Vimos, também, artesãs tecendo, no tear, os tecidos que servirão depois para a confecção de estojos, mantas, almofadas etc... 


Fomos recebidos por essas simpáticas criaturas. 




Essa moça continuou a apresentação, falando sobre a produção das cores, que é feita com a utilização de sementes, fungo, flores. Ou seja, usando corantes naturais.


As tecelãs só podem tecer um certo número de horas por dia para não causar problemas à visão. Os desenhos não se repetem, aparecem dos dois lados do tecido, isto é, não tem "avesso". E elas sabem de cor como fazê-los, pois começam a aprender com suas mães ou avós, desde pequenas.



Ao final, o turista é convidado a visitar um stand de vendas com produtos feitos pelas artesãs que vivem na região.

Saindo daí, fomos para o centro histórico de Chinchero. Dizem que, quando os espanhóis chegaram, Manco Inca ordenou que a cidade fosse queimada, para que não sobrasse nada para os invasores.

Essa é a igreja de Nossa Senhora de Monsserrat, que foi construída pelos espanhóis sobre o Palácio de Tupac Yupanqui.




É uma pena não podermos fotografar o riquíssimo interior das igrejas, nem terem postais à venda, para trazermos como recordação.

Dentro da igreja, vários andores já estavam enfeitados para a procissão. Em um deles, havia uma estátua de criança andina com roupa de santo, mas poncho e touca andina, o que é um exemplo da junção entre a arte dos incas e a dos espanhóis.


A igreja é ricamente decorada com pinturas, imagens e painéis. Alguns folheados à ouro. Essa igreja nunca foi restaurada e sobreviveu a dois terremotos.


Foto de www.panoramio.com/photo/77660844

Em frente à igreja, na Plaza de Armas, muitas pessoas já aguardavam o início da comemoração pelo dia de Nossa Senhora da Natividad. Outras estavam chegando para participar.




Muitas casas de Chinchero são feitas da forma antiga, com tijolos de adobe: argila + palha colocada em um molde/caixa de madeira e secas ao sol.





Ao lado da igreja há um imenso platô de onde se tem uma vista muito bonita das ruínas..., das terrazas de plantação e das montanhas.


















                             ...das terrazas de plantação e ...





     ... e das montanhas.





À caminho de Moray, pegamos uma estrada muito bonita de onde avistamos, em vários momentos, o cume nevado de algumas montanhas - era a "Cordilheira dos Andes Oriental" -, além de terrazas de plantação.





Paramos na estrada para fotografar, e não resisti a comprar 2 chaveiros de lhama com essa menininha.





Muitas crianças e adultos têm as bochechas bastante queimadas pelo sol forte. Eles não usam protetor solar.

Ainda na estrada, uma cena de filme... o carro parou, para que o rapaz, que conduzia o rebanho, liberasse a estrada.






Moray é considerado Patrimônio Cultural de La Nacion e, em alguns sites, é chamado de Centro de Investigação Agrícola.

Ficamos alguns segundos como que hipnotizados por essa espécie de arena de círculos concêntricos.

O que foi esse lugar ?



Os estudiosos dizem que foi um centro de investigação/estudo sobre agricultura. Cada andar/degrau tinha um microclima que favorecia um tipo de cultivo.

Li o site www.cuscoperu.origenandino.com/moray-andenes-moray.html e retirei esse trecho porque explica muito bem o que foi Moray.

"Os Terraços de Moray, que se assemelham a um antiteatro afundado, como uma cratera artificial, foram construídos em muros cheios de solo fértil e regada por complexos sistemas de irrigação. Assim, a variação de temperatura entre a superfície e o fundo destes orifícios naturais foi usada para cada terraço que a adaptação de diferentes variedades de plantas (mais de 250 espécies de plantas). Especula-se que, a partir de sua experiência neste tipo de estufa, os incas organizaram a produção agrícola em todo o Tawantinsuyu."





Dali, seguimos em direção a Maras, mas, antes, passamos por dentro do vilarejo.

Esse é um monumento na Plaza de Armas da Villa de Maras.



Nele está representado Moray,


as Salineras de Maras e...


... os camponeses.



Salinas de Maras

Nosso guia explicou que cada poço de sal pertence a uma família e vai passando para os descendentes. Não pode ser vendido. A exploração/trabalho com o sal acontece apenas numa época do ano, depois as famílias fecham suas casas na cidade e se deslocam para outra cidade, só retornando na época seguinte.


A água salgada vem de fontes naturais que ficam bem acima desses poços. A água enche os poços. Em época de seca, o sol forte faz a água evaporar e o sal se cristaliza.
















Ollantaytambo


Nosso guia não falou nada sobre a cidade de Ollantaytambo, que seria a última, nesse dia de passeio pelo Vale Sagrado. Eu penso que foi uma estratégia para nos deixar impactados. Mas, nada do que ele nos dissesse, seria suficiente para causar comoção que tivemos ao conhecê-la, ao vivo e à cores.



Essa é a única cidade inca ainda habitada.
A cidade tem cor de tijolo e ruas muito estreitas.
As casas são construídas sobre uma base de pedras da época inca.










É instigante pensar na construção dos depósitos de alimentos no alto da montanha e na encosta.





Dizem que essas imensas pedras chegaram até o alto através de rampas.



Quando cheguei bem no alto, sentei para apreciar a vista e dei de cara com essa montanha, que fica em frente à Fortaleza de Ollanta. Não tem foto que registre o que se vê e o que se sente diante tanto dessa maravilha da natureza quanto da obra dos Incas.
Ali, permaneci um bom tempo e agradeci por essa oportunidade .


A cabeça do Condor esculpida na pedra.









Os corajosos que vão pela trilha.


Assim nos despedimos de Ollantaytambo, a cidade Inca viva !





FOTOS: J.C. ALVAREZ




4 comentários

  1. Mto bom o relato, qria saber a agência que vc fez o passeio e o preço!

    ResponderExcluir
  2. Também gostaria de saber a empresa e o preço que pagou, se possível. Ah, e que horas vcs chegaram a Ollantaytambo?

    ResponderExcluir
  3. Olá,Paula
    Eu contratei daqui do Rio de Janeiro, por email,um guia para nos acompanhar por 3 dias e decidi o queria ver , as cidades que queria conhecer,estabelecemos um roteiro. Ele nos cobrou 100 dólares por dia,éramos um casal,ele e um motorista. Vou ver o nome dele e email em minhas anotações e te passo.
    beijinhos

    ResponderExcluir
  4. Olá!
    Poderias me passar o contato do guia? Obrigada!

    ResponderExcluir