MUSEU DO AÇUDE, RIO DE JANEIRO

O dia amanheceu meio cinzento, mas, mesmo assim, decidimos fazer esse passeio, já tantas vezes adiado.
 O cenário é a Floresta da Tijuca. A estrada é sinuosa e fica em meio a uma profusão de tons de verde com as montanhas ao fundo. 



Depois de um tempo, vemos um portão de casa de fazenda e, então, chegamos ao Museu do Açude.

Lugar i-m-p-e-r-d-í-v-e-l no Rio de Janeiro !

Dentro de uma enorme área está a casa de verão, em estilo colonial, de Raymundo Ottoni de Castro Maya, hoje Museu do Açude.


Esse homem notável foi empresário, editor de livros, mecenas, colecionador de Artes e defensor do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural.

Belíssimas peças compõem o acervo que está exposto tanto dentro da casa quanto enfeitando os jardins e a área externa.

 Desci do carro já de olho nessa fonte com painel de azulejos.


E essa mais simples, mas, igualmente, bonita.


No caminho do estacionamento para o museu passamos por uma pequena propriedade, tipo uma administração, em cuja varanda havia uma grande quantidade de cerâmicas. Um gentil funcionário nos convidou a entrar, ao mesmo tempo, em que nos contou que todas eram cerâmicas portuguesas. Anteriormente ficavam ao ar livre em diferentes partes do jardim ou nos muros, mas, para preservação, foram deslocadas para a varanda dessa casa, dentro da propriedade.
  



Ainda nessa mesma varanda.



"Alabardeiro" é o sentinela que guarda o paço, o arqueiro.

Raymundo Castro Maya foi proprietário da Companhia Carioca Industrial que produzia a Gordura de Coco Carioca.


Nos jardins, azulejos revestem bancos e criam painéis de fundo para as pias e as fontes. Seus desenhos e colorido enfeitam, de forma delicada, trazendo um realce todo especial a cada uma dessas peças. 
O uso de azulejos é uma marca forte da Colonização Portuguesa.
Somos apaixonados por esse tipo de revestimento e ficamos encantados ! 
Mal acabávamos de ver um, e, já encontrávamos outro.



Esses bancos nos lembraram a cidade de Coimbra que tem, ao longo de uma das margens do rio Mondego, bancos azulejados [precisando de reforma] para as pessoas sentarem para admirar a paisagem. 










Querendo conhecer mais sobre essa arte [azulejaria portuguesa], leia esse interessante artigo aqui

Ao entrarmos na residência propriamente dita, acho que 
esgotamos nosso estoque de "uaus". 
A beleza do saguão já anunciava o que o interior da casa nos reservava.



Apaixonada por esse maravilhoso elemento decorativo, uma pinha de vidro ou cristal. 




Logo à esquerda, a sala de jantar.




O 2º andar nos pareceu estar numa fase de organização de acervo, logo poucas peças estavam expostas.




Mas, só a possibilidade de apreciar essas 2 belezas, já valeu ter subido.

Outra pinha enfeitava a escada, no 2º andar.



Além desse pequeno painel em louça, em alto relevo.
Uma preciosidade !


No andar térreo, algumas salas expõem peças de Arte Oriental, sendo, algumas, chinesas e outras indianas.












A sala conta, também, com uma lareira holandesa, de 1647.


Pelas paredes das salas, também, encontramos vários painéis de azulejos. 






Ainda no térreo, visitamos a cozinha, lugar que contava com a presença constante de Castro Maya, que convidava amigos para jantar, pois gostava de supervisionar tudo pessoalmente.





Da janela do 2º andar, vimos o pavilhão vizinho à residência, tipo um jardim de inverno. 



Ele é decorado com "azulejos portugueses, no estilo D.Maria I, do início do século XIX, provenientes da cidade de Alcântara, no Maranhão".[ trecho retirado do livro comemorativo dos 50 anos do Museu do Açude]          

   





Na década de 40, à convite do prefeito Henrique Dodsworth, Castro Maya coordenou a remodelação da Floresta da Tijuca. Ele aceitou essa tarefa dando início à reformas de estradas, restaurantes, áreas de lazer e outras edificações. 

 " Meu desejo era mostrar ao público o que é um parque nacional; a Floresta da Tijuca seria o exemplo em miniatura do que 
se poderia fazer em todo o país, aproveitando as belezas naturais 
e defendendo-as da "civilização" que entra com o machado devastador, derrubando as matas e aproveitando o humo da terra 
para pouco depois abandoná-la."
[ trecho retirado do livreto Museu do Açude/Arte/Cidade e Natureza produzido por ocasião da comemoração dos 50 anos do Museu].

Cabe dar destaque ao fato da não remuneração de Castro Maya para essa tarefa, condição que colocou para aceitar assumir o cargo. 


Foto do site www.cbg.org.br
As nuvens que acinzentavam o céu precipitaram-se sob a forma de chuva de verão, forte e rápida, interrompendo nosso passeio, mas nos compensando com um gostoso cheirinho de terra molhada. 

De saída, comentamos com um funcionário nosso encantamento com o museu e ele nos disse para voltarmos outro dia com roupas de ginástica, repelente e protetor solar para uma caminhada, pois há uma trilha que liga o Museu à Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca

Nossas fotos não dão conta de mostrar a beleza dessa propriedade.
Passeio super recomendado !!!!!

O Museu do Açude fica na Estrada do Açude 764, no bairro do Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro.   
Ingresso: 2 reais por pessoa, e na quinta feira a entrada é franca.
Tem estacionamento.


FOTOS: J.C. ALVAREZ




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20 comentários

  1. Que lindo! Nem sabia da existência desse museu! Adoro esses detalhes em azulejos do tipo!

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    1. Eu também adoro esses trabalhos com azulejos.Raymundo Castro Maya tem outro museu que foi sua casa a "Chácara do Céu" em Santa Tereza,no RJ.

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  2. AMEI esses azulejos!!! Que bom que eles preservaram esses resquícios lindos da colonização portuguesa! E a visita ainda é baratinha, não tem motivo para não ir!!

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    1. Lindos né,Nini Ferrari ? Quando vierem ao Rio não percam ! Tem também a Chácara do Céu em Santa Tereza que era casa dele.

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  3. Gente e esses azulejos? Quero todos! :/ Muito lindo.

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  4. Muito show esse museu!! E amoooo esses azulejos!! Bjooo

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  5. Que coisa linda! Nunca tinha ouvido falar! As peças me lembram um pouco do museu do ipiranga, aqui em sp! Bjs!

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    1. Guaci, da próxima vez que for a SP vou visitar esse museu e o da Imigração.

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  6. Lindo. Como eu nunca soube desse lugar????? Quero ir!!! Anotando em 3, 2, 1.... BjO!!! Paula

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    1. Paula, vem pro Rio que levamos você, Naiá,Cyntia e Flora para passear por esses lugares.beijos

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  7. Surpreendente, o Rio de Janeiro tem destas coisas de se mostrar aos poucos e encantar mais ainda aos visitantes, excelente relato e fotos, espero ver com meus próprios olhos. Beijos

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    1. Glacy quando vier ao RJ me avisa que eu me organizo pra ir com vc.

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  8. Que lindo este lugar! Adorei a dica! :)

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  9. Olha acho que nunca tinha ouvido falar nesse museu!! Boa dica!! Bjs!!

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    1. é pouco divulgado,e a outra residência dele é a Chácara do Céu em Santa Teresa no RJ.

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  10. Lilian, fiquei encantada com esse museu! E os azulejos? Amorrrr... <3
    Já vou colocar na minha listinha do Rio - já tenho viagem marcada pra lá! \o/

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  11. Que maravilha de post, me senti em Portugal com tantos azulejos maravilhosos. Tenho que visitar logo! Gostei muito do seu empenho em mostrar bastante deste lindo museu, que era desconhecido para mim. Parabéns!

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  12. Adorei sua dica, não sabia da existência desse museu. Já coloquei na minha lista para visitar. Valeu!

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