THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Conhecer o Theatro Municipal de São Paulo era um sonho antigo, mas eu sempre deixava pra depois, aí chegava a hora de voltar e batia aquela frustração. Dessa vez não deixei passar. 


É importante chegar cedo e deixar o nome na bilheteria. A visita é gratuita. Na hora marcada, os guias aparecem na entrada lateral e dividem os grupos que farão a visita em inglês e em português.

Nesse dia, o grupo brasileiro era grande, + ou - 25 pessoas. A guia do nosso grupo se chamava Luciana e, muito animada, começou a nos contar a história do Theatro. 

A elite cafeeira viajava muito para a Europa onde frequentava teatros e Óperas, quando retornava para São Paulo se ressentia da cidade ainda não ter o seu Theatro Municipal, como os das grandes metrópoles, embora tivesse teatros menores.

Depois de muita insistência por parte da elite paulistana da época e do governo alegar falta de recursos para a construção, alguns comerciantes se uniram para financiar a obra e em contrapartida o governo os isentou do pagamento de impostos por 50 anos!!!

O projeto foi do escritório do famoso arquiteto Ramos de Azevedo, muito requisitado na época, sendo dele também os projetos do Mercado Municipal e da Pinacoteca



Nessa parte à direita, na foto, fica o restaurante do Theatro, e antes de iniciar a visita, fui conhecer. Ele estava fechado. Então, fiquei apreciando os vitrais, o saguão de entrada, o piso, o lustre e as portas.
  




A minha grande expectativa era conhecer o "auditório", propriamente dito. E, apesar de ser menor do que eu imaginava, é lindo e requintado.

O revestimento de todo o ambiente e mobiliário passou a ser, após reforma, em tecido vermelho. Mas, antigamente, era de tecido verde, que simbolizava o "ouro verde" de São Paulo. Na época que foi inaugurado, tinha 1850 lugares e, atualmente, conta com 1534.

Cada andar era destinado a um grupo/classe social : no 1º andar, 11 camarotes para os Barões do Café e autoridades. Atualmente, é para Prefeito, Governador e autoridades; no 2º balcão, ficavam os advogados, engenheiros e médicos; já no 3º espaço, os comerciantes, professores, estudantes e imigrantes podiam se sentar. Acima de todos esses, havia um lugar chamado "galeria" ou "poleiro", onde as pessoas ficavam "empoleiradas" para tentar ver alguma coisa.

Hoje, apenas o espaço reservado para as autoridades se mantém. Os demais assentos podem ser adquiridos por qualquer pessoa. 



O salão acima, chama-se Salão Nobre e foi inspirado no Palácio de Versailhes. Nesse local, as pessoas se encontravam, antes dos saraus e bailes, para conversarem. 

Os vitrais vindos da Alemanha, os espelhos da Bélgica e as madeiras nobres foram empregados para dar elegância ao espaço.  

O saguão de entrada tem um pé direito bem alto. Ladeando a escadaria, estão colunas de mármore com figuras femininas que sustentam luminárias. E, em uma das paredes, há um mosaico feito com pastilhas de vidro ilustrando a Ópera de Wagner.




Ao término da visita ao Theatro, fomos convidados pela Luciana, nossa guia, a conhecer a Praça das Artes.



A Prefeitura de São Paulo construiu, em uma área desvalorizada do centro da cidade, uma imensa praça e um prédio moderno. Além disso, restaurou o antigo Conservatório Dramático. E tudo isso, em conjunto com o Theatro Municipal, forma um complexo Artístico/Cultural. 

Esse espaço abriga a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da cidade de São Paulo, o Quarteto de Cordas, o Coral Lírico, a Escola Municipal de Música e de Dança e o Centro de Documentação Artística.

Esse edifício ganhou, em 2013, o prêmio "Edifício do Ano", promovido por uma revista britânica de arquitetura.

Voltei do centro da cidade feliz da vida por ter finalmente visitado o Theatro Municipal de São Paulo e ainda ter conhecido a Praça das Artes.  

Todo o passeio é acompanhado pela guia do Theatro e vale muito !!!



FOTOS : J.C. ALVAREZ


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