MACHU PICCHU

O dia de visitar Machu Picchu começa cedo em Águas Calientes pois muitos turistas querem ver o nascer do sol já dentro do parque.
 Águas Calientes é muito simples mas preparada para o turismo. 
Esse muro azul é do escritório onde são vendidas as passagens do ônibus Águas Calientes/Machu Picchu. Elas devem ser compradas com antecedência. Tudo é muito simples e por isso eu fiquei surpresa com a organização da empresa: os ônibus são novos, a equipe é uniformizada e todos possuem crachá de identificação. 

 A fila para entrar no ônibus, que leva os turistas a Machu Picchu, é organizada ali mesmo e, é controlada por uma funcionária que informa, ao motorista, o número de passageiros embarcados, número de guias e horário, antes de liberá-lo para iniciar a viagem.



Nosso ônibus levou 25min para percorrer o trajeto que é bonito e assustador !
A estrada é de terra e estreita. De um lado, rocha. E do outro, precipício. 
Quando vem um ônibus em direção contrária, qualquer um jura que não vai ser possível os dois na mesma estrada. Parece que os ônibus são elásticos: se encolhem e se esticam. Um dá marcha ré e chega um pouco mais para perto da rocha, e o outro passa pela beirada do precipício. E todos respiram aliviados, mas, logo depois, vem outro e a ginástica, para caberem os dois na mesma estrada, se repete. Confesso que tive medo.

Finalmente, chegamos à entrada do parque Machu Picchu.




Entramos e, só então, percebemos que os guias ficavam do lado de fora. Pedimos para sair e nos incluímos em um grupo que a guia falava espanhol. Todos os guias estavam uniformizados, fica fácil identificá-los.

Entramos no parque às 9h30 e estava muito cheio de turistas de todas as idades e nacionalidades. Muita gente de mais idade com suas varinhas de "Harry Potter" - onde, em Friburgo, chamamos de "pau de caminhada". Às vezes, até me assustava, pois ia subir uma escadaria e lá vinha uma galera descendo com uma "canetinha" na mão e quando eles passavam pela gente, - "zupt" - num rápido movimento, aquilo se transformava em bastão de caminhada.

Quando você começa a ver as ruínas da "cidade perdida dos Incas", o impacto é tão grande, que você fica meio tonto. Olha para um lado, olha para o outro, como se não acreditasse no que está vendo.
Não é possível terem construído uma cidade a essa altura !  

É um visual imponente: montanhas imensas; vale com um rio ao fundo, que mais parece um risco azul no chão; terraços verdes em todas as encostas; nuvens se dissipando e encobrindo o topo de algumas montanhas; milhares de turistas, que, em alguns momentos, parecem formiguinhas que caminham entre ruínas ou escalam as montanhas.




Machu Picchu não foi saqueada pelos espanhóis, pois eles não a encontraram. Passou muito tempo abandonada e a floresta foi tomando conta de tudo até ficar quase totalmente encoberta.


Foi Hiram Bingham, arqueólogo americano, quem redescobriu Machu Picchu, em 1911. Segundo nosso guia em Cusco, muitos cusquenhos já sabiam da existência da "cidade perdida" e disse que foi o filho de um morador local quem conduziu Hiram até às ruínas.
Durante os trabalhos iniciais de escavação/pesquisa muito material foi saqueado e hoje se encontra em museus de grandes cidades. A guia disse que o governo Peruano já pediu a devolução dessas riquezas históricas, mas ainda não foi atendido.

Há um trem de luxo da empresa Orient-Express chamado Hiram Bingham, que faz o trajeto Cusco/Machu Picchu/Cusco.  

  
Machu Picchu é uma cidade Inca com praças; casas; sistema de canais que distribuíam água para irrigar as plataformas de plantação e para a cidade; templos de adoração aos seus deuses: Sol, Água, Condor; locais de rituais sagrados; bairros onde viviam os trabalhadores; cabanas de guardiões que vigiavam, de pontos estratégicos, a entrada da cidade; observatório de astronomia e palácios.

A construção de Machu Picchu, assim como as demais construções Incas, é intrigante por muitos aspectos, entre eles, a utilização de pedras imensas com cortes perfeitos e nenhum sinal de cimento ou argamassa para ligar uma pedra à outra. Elas se encaixam como num quebra-cabeça.  





Os Incas construíram muitas estradas ligando todas as cidades do Império Inca e ainda hoje é possível caminhar por algumas dessas trilhas. Ao longo desses caminhos, outras maravilhosas ruínas são encontradas. Muitos turistas fazem a trilha de 4 dias do Vale Sagrado até Machu Picchu.


Na foto abaixo, vemos o Huayna Picchu. Dizem que, no topo dessa montanha, vivia o sumo sacerdote.
Todos os dias, 400 pessoas estão autorizadas a fazer o passeio, subindo suas escadas até o topo, onde fica o Templo da Lua.




A guia nos acompanhou por 2h, parando diante de várias construções, a fim de dar as devidas explicações. E, claro, "mil" fotos, já que todos querem registrar esses momentos.
Gostei muito do trabalho da guia: pessoa séria e atenciosa com as perguntas dos participantes; demonstrou muito conhecimento sem ter aquele discurso decorado.    
Apesar de ouvirmos com atenção, é difícil lembrar da verdadeira "aula de história", pois são muitas informações.
Depois que nos despedimos dela, seguimos para visitar, com calma, outros lugares.





Os Incas acreditavam em muitos deuses, sendo o deus Sol - Inti -, um dos mais importantes, cultuado em todos os povoados.
Abaixo, a única construção arredondada de Machu Picchu, o Templo do Sol.
As janelas são alinhadas de tal forma, que, nos dois solstícios, o sol, ao nascer, passa perfeitamente nas duas.


De alguns pontos das ruínas, é possível ver o rio Urubamba.





Intihuatana é o nome dessa pedra, que servia como indicador dos dois solstícios. Informação muito importante para os Incas, por causa da agricultura.




Esse é o Templo das Três Janelas, que ficava na praça Sagrada.
Cada janela representaria os níveis em que os Incas dividiam o mundo:
céu [vida espiritual], terra [vida mundana] e subterrâneo [vida interior]

[Informação retirada do texto "Templo das Três Ventanas", do site www.viajeaqui.com.br/estabelecimentos/peru-machu-picchu-atracao-templo-de-las-tres-ventanas]

O guia, que nos acompanhou em Cusco, falava sempre dessa divisão. 



Para os Incas, existiam 3 níveis espirituais: o mundo de cima ou dos espíritos; o mundo do meio ou dos homens e o mundo de baixo ou dos mortos.

O Condor era considerado um animal sagrado e guardião do mundo de cima. Por isso, tinha a missão de carregar os mortos para o mundo de cima.


Abaixo, o Templo do Condor. No chão, esculpida em um só bloco de pedra, a cabeça do condor.




Observem como essa rocha lembra um condor com uma pose imponente, se preparando para levantar voo.   



Abaixo, a cabana do guardião, de onde a entrada da cidade era vigiada.


 Os incas aproveitavam a inclinação do terreno que dispunham, construindo os terraços agrícolas nessas encostas. As plantações eram feitas nessas plataformas e toda a população se abastecia com os alimentos produzidos aí.







Terminamos o passeio, mas eu permaneci "meio nas nuvens" !!!




FOTOS : J.C. ALVAREZ




Um comentário

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir